História do Município

Assim como outros municípios da Zona da Mata, a região onde se localiza o município de Tabuleiro teve como seus primeiros habitantes índios das tribos Croatos e Cropós.


Na segunda metade do século XVIII, Por volta de 1767, o Padre José Manoel de Jesus Maria inicia o processo de catequese dos índios na então freguesia do Mártir São Manoel dos Rios Pomba e Peixe dos Índios Croatos e Cropós, sendo que 74 anos depois, pela lei provincial de 7 de abril de 1841, foi criado o curato do Senhor Bom Jesus da Cana Verde no local onde hoje funciona a própria sede da prefeitura municipal de Tabuleiro.


Tudo indica que a origem do nome de Tabuleiro remete ao modo como viajantes tropeiros e mascates denominavam a região, pois, quando por ali passavam, eram recebidos pelos moradores vendendo doces, pães, bolos e alimentos diversos em tabuleiros de madeira que eram colocados nas janelas das casas.


Em 02 de janeiro de 1866 Tabuleiro é elevado a distrito com o nome de Tabuleiro do Pomba pela Lei Provincial n° 1275 e posteriormente ratificada, já na república, pela Lei Estadual n° 02 de 14 de setembro de 1891. Em 1911 é figurada como Vila e em 12 de dezembro de 1953, pela lei n° 1.039 é o primeiro município a emancipar-se política e administrativamente de Rio Pomba. A 1° de janeiro de 1954 é celebrada a sessão solene de instalação do município assim descrita pelo jornal O Imparcial:

O dia 1º de janeiro, em Tabuleiro amanheceu festivo, com a queima de fogos e alvorada pela corporação musical 'Santa Cecília' e esse ambiente alegre e ruidoso se prolongou até a madrugada do dia 2.

Interessante notar que o nome de Jesulandia consta no programa-convite para a solenidade de instauração do município de Tabuleiro, embora o nome de Tabuleiro continuasse mantido como atesta o seguinte trecho do livro Cem Anos Luz, editado em comemoração aos cem anos do dito Jornal:

O programa-convite de Tabuleiro convidava o povo para as festas, homenageava o governador JK e o deputado Ultimo de Carvalho (...) Em relação à emancipação propriamente dita do município de Taboleiro, falou se no nome de JESULANDIA que constou no programa-convite. Taboleiro continuou Taboleiro. (pág, 216).

Tabuleiro, assim como outros municípios da região, viveu sob a hegemonia de uma pratica política comum na época; o patriarcalismo. Figuras como João Floriano, Oscavo Gonzaga Prata e Alcebíades Mendes Ferreira, grandes fazendeiros, exerceram grande influência política e econômica na região na segunda metade do século XIX e início do século XX.


Atualmente prevalece na região a pequena propriedade rural de 50/60 hectares em média e que se dedica essencialmente a produção de leite que são posteriormente vendidos a quatro laticínios do próprio município.


Uma das primeiras casas da região é o sitio Campo Belo Vendinha que possui esse nome em alusão a um pequeno mercadinho que funcionava na proximidade do sitio e foi construída entre 1890 e 1891 pelo fazendeiro Francisco Ferreira Ramos. Originariamente o atual sitio possuía 96 alqueires e produzia e comercializava essencialmente café..


O município alias, destacou-se na produção de café e segundo o jornal Tribuna do Tabuleiro era comum tropas de burros trazendo sacas de café das fazendas distantes e dos carros de bois que entravam cantando nas ruas de Tabuleiro. (Oliveira, s/n)

Destaca-se no município a figura histórica do padre e político Geraldo Cândido de Paiva que:

empreendeu mudanças na paróquia, incentivando teatro e música e as festas religiosas (...) edificou as capelas de Santa Rita (Botafogo), Nossa Senhora (Igrejinha do Acácio), bem como a Capela de Nossa Senhora do Rosário, localizada na praça de mesmo nome.

Há ainda dentro do município a comunidade rural do Botafogo que são remanescentes de quilombolas e encerram um grande patrimônio cultural do município.